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19/11 - 20:11hs

"É o Tchan": sucesso, críticas e recomeço

Bia Amorim, iG Rio de Janeiro

“Segura o Tchan”. Se você é brasileiro e vivenciou a década de 90, certamente não passou incólume a essa expressão. A frase caiu no gosto popular em 1995, quando o grupo “Gera Samba” estourou nas rádios e televisões com a “Melô do Tchan”. E a onda foi tão forte que no ano seguinte o próprio grupo passou a se chamar “É o Tchan” e se tornou um fenômeno midiático. Durante dez anos a banda lotou shows em todo o país e vendeu mais de 10 milhões de discos. O sucesso parecia eterno, mas simplesmente acabou cerca de cinco anos atrás, quando a fórmula parece ter se esgotado. Durante este tempo os antes poderosos vocalistas Beto Jamaica e Compadre Washington sumiram da mídia, mas agora iniciam nova tentativa para reviver as glórias do passado e declaram: “O É o Tchan voltou!”

 

Veja também: Qual é sua loira do Tchan preferida? Vote na enquete!

 

Ensaio de Karol Loren, do "É o Tchan", é literalmente de parar o trânsito

 

A galeria com fotos do ensaio de Karol Loren, na praia da Reserva, Rio 

 

Divulgação
Grupo tenta retomar o sucesso agora com seis dançarinas

 

“A ideia foi lançada no mercado e houve aceitação”, explicou recentemente Beto Jamaica. A tradicional formação de dois vocalistas, uma loira e uma morena foi colocada de lado e outras cinco dançarinas se juntaram para dar força no rebolado. Em agosto deste ano, o “Programa do Gugu” sediou a final do concurso, que elegeu Lelê Pingo de Mel, Juliana Chocolate, Julie Pinho, Gabriella Zecchinelli e Karol Loren como a nova seleção de musas do conjunto baiano.

 

 “Desde o meio de 2010 estamos fazendo de dois a quatro shows por semana em todo o Brasil, além de ensaios no Bali Beach Club em Salvador”, diz o diretor comercial do grupo, Antoine Freitas. A banda planeja a gravação de um CD e DVD da volta do “É o Tchan”. “A gente tem gás para alcançar o mesmo sucesso em número de show do passado, mas a venda de discos será impossível bater devido à pirataria”, completa o diretor.

 

História de sucesso e muitas críticas

 

A banda surgiu em Salvador no começo dos anos 80. A formação original do “É o Tchan” contava com dois vocalistas e três dançarinos, duas mulheres e um homem - o coreógrafo do grupo - Jacaré, que permaneceu no posto até o lançamento do CD de 10 anos (2004) e depois seguiu como ator na “Turma do Didi”, na Globo.

 

A fórmula simples, que contava com coreografias sensuais e letras de duplo sentido, caiu no gosto popular. A presença de mulheres bonitas em trajes sumários ajudou a incendiar o imaginário brasileiro, mas foi alvo de muitas críticas. Era comum ver crianças imitando as danças sensuais das bailarinas, inclusive em programas de televisão. Mulheres sonhavam em ser dançarinas do Tchan, mas poucas alcançaram o posto. “O grupo passou a fazer parte do sonho de muita gente, porque tinha sucesso e levava alegria para o povo. No auge, chegava-se a se fazer mais de 30 shows por mês”, afirma Freitas.

 

Musas de corpos perfeitos

 

Reprodução Site Oficial
Carla Perez foi a primeira loira do Tchan
Carla Perez foi a primeira loira do Tchan

 

A primeira musa da banda foi Déborah Brasil, que na época era casada com Beto Jamaica. Logo em seguida, surgiu Carla Perez para fazer a dobradinha loira e morena do Tchan, uma das marcas registradas. Carla sempre foi o principal nome de referência entre as dançarinas. Passou por uma intensa mudança no visual, posou para a Playboy três vezes, foi protagonista de um filme feito em sua homenagem – “Cinderela Baiana”, do qual também participou o agora consagrado ator Lázaro Ramos -, se casou com Xanddy, vocalista do grupo “Harmonia do Samba”, com quem teve dois filhos. O frenesi do início da carreira, no entanto, acabou e a loura agora está fora da televisão. No carnaval, ela comanda em Salvador um bloco dedicado ao público infantil.

 A Tarde

 

A dobradinha Déborah e Carla não durou muito. Por volta de 1996, a morena deixou o conjunto para se tornar vocalista da banda “Dengo de Mulher”. Foi então que surgiu um concurso para eleger “A Nova Morena do Tchan”. A competição foi parar na televisão. No “Domingão do Faustão”, da TV Globo, o Brasil conheceu e elegeu Scheila Carvalho. A mineira de Juiz de Fora venceu mais de duas mil concorrentes, estreou oficialmente no grupo em agosto de 1997 e não demorou muito tempo para se tornar musa.

 

Reprodução Site Oficial
O grupo com Carla Perez e Scheila Carvalho
O grupo com Carla Perez e Scheila Carvalho

 

Fábio Medeiros/Molde & Cia
Scheila Carvalho: a mais sexy do grupo de todos os tempos

 

Scheila Carvalho protagonizou vários ensaios sensuais para revistas masculinas, sendo cinco vezes capa da “Playboy” (uma delas nas bancas simultaneamente com o atual marido Tonny Salles, que veio a ser vocalista do “É o Tchan”, na revista de nu masculino “G Magazine”), uma vez capa da edição de aniversário da “Sexy” e outras cinco vezes na “VIP”, onde foi eleita três vezes consecutivas como a mulher mais sexy do mundo, em eleição anual. Tal feito acabou por tirá-la da competição, já que a morena foi elevada à categoria de hors-concours em 2002. A exemplo de Carla Perez, Scheila não está mais nos holofotes nacionais. Desde o final de 2001 passou a conduzir um programa de variedades regional, veiculado apenas na Bahia, chamado “Bom Demais”.

 

Reprodução Site Oficial
Sheila Mello, a segunda loira do Tchan
Sheila Mello, a segunda loira do Tchan

 

Ter apenas uma Scheila no grupo não pareceu suficiente. Com a saída de Carla Perez do grupo em 1998, outro concurso foi realizado e a paulista Sheila Mello passou a fazer a dobradinha com Scheila Carvalho. Novas capas de revista masculina pipocaram pelas bancas, ajudando a divulgar ainda mais o nome do “É o Tchan”. Algumas curiosidades cercam o nome da então “Nova Loira do Tchan”, como por exemplo, o fato de ela ter assumido, além do posto de Carla Perez no grupo, o também antigo namorado da primeira loira, o cantor Alexandre Pires. Apesar de ser bailarina formada, ficou no grupo até 2003, quando partiu para as artes cênicas, se formando através da escola de teatro Célia Helena, em São Paulo. Depois participou do reality show “A Fazenda”, na TV Record. Não ganhou o prêmio, mas conheceu o nadador Fernando Scherer, o Xuxa, com quem veio a se casar este ano, um pouco depois do fim do programa.

 

Fábio Guinalz e Orlando Oliveira / AgNews
Sheila Mello não ganha prêmio, mas arremata o Xuxa em programa de TV

Outras dançarinas passaram pelo “É o Tchan”, mas nenhuma delas alcançou o mesmo sucesso ou destaque de suas antecessoras. Entre elas a loira Silmara Miranda e as morenas Aline Rosado e Juliane Almeida, que continua no grupo até hoje como dançarina e coreógrafa.

 

Reprodução Site Oficial
Silmara Mirana, a terceira loira do Tchan
Silmara Mirana, a terceira loira do Tchan

 

Números de respeito, fim melancólico e esperança

 

Segundo a gravadora Universal, o É O Tchan vendeu 10 milhões de cópias de seus nove discos na companhia (eles ainda têm um independente lançado em banca, “Ligado em 220v” e o “É o Tchan 10 Anos” pela EMI). O grupo ainda teve força para uma investida no mercado internacional. Em 1998, a banda participou de renomados festivais como o de Jazz de Montreux, na Suíça, e o de Viña Del Mar, no Chile. “Passamos pelos Estados Unidos, onde gravamos um CD no Havaí, pela Europa e pelo Japão, onde fizemos um CD temático. O É O Tchan fez muito sucesso em Portugal, participando de carnaval fora de época”, conta o diretor Antoine Freitas, ressaltando ainda que o Tchan chegou a licenciar vários produtos com seu nome.

 

O ano de 2004 foi, de certa forma, definitivo para o grupo. Eles reuniram antigos e novos integrantes, como os vocalistas Renatinho da Bahia e Tonny Salles, para celebrar os 10 anos do grupo e assim conseguir mais fôlego comercial. A estimativa, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD) é que eles tenham alcançado Disco de Platina, mas desde então o “É o Tchan” perdeu o brilho que o consagrou no cenário nacional. “A gente nunca cravou uma data que o grupo tenha encerrado as suas atividades, porque isso nunca aconteceu. Mas o último grande evento foi esse”, conta Antoine.

 

Agora, a esperança dos integrantes se renova com a tentativa de retorno. Resta conferir se o grupo vai voltar a conseguir “segurar o Tchan” da mesma forma no cenário musical brasileiro.

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