iG - Internet Group

iBest

brTurbo


12/12 - 17:23hs

Entrevista: Letícia Colin fala sobre o drama de sua personagem estuprada. “Eu já me confundo com ela”

Claudia Dias

Acordo Ortográfico

 

 

Uma jovem de 15 anos, criada pelos irmãos, que é estuprada e engravida. Este é o drama de Vivi, personagem de Letícia Colin na novela "Chamas da Vida", da Record. A história, que chegou a colocar a emissora em primeiro lugar de audiência no dia da prisão do estuprador Lipe (André di Mauro), é uma experiência reveladora para a atriz. Esta semana, Letícia grava a cena em que decide fazer um aborto. O que não se sabe, no entanto, é se o ato será consumado. Em uma entrevista exclusiva, a atriz de 19 anos falou sobre a carreira e sua personagem. “Eu já me confundo com ela”.


Babado: Como é a experiência de viver esta personagem tão intensa em "Chamas da Vida"?


Letícia Colin: É um momento diferente, pesado, delicado e complexo. Está sendo um momento de quebra de verdades dentro da minha pessoa. Porque tudo o que eu já tinha pensado sobre este assunto, tudo o que eu tinha estudado na escola e o que eu já tinha escutado das pessoas, está caindo por terra.


Babado: Como você pensa este assunto?


Letícia Colin: Essa questão de filho ainda é uma coisa muito louca para a minha cabeça. Eu fico pensando que deve ser a maior viagem da vida. Tem cenas em que eu digo "vou tirar este filho de dentro da minha barriga" e isso, para mim, ainda é muito difícil. Eu já me confundo com ela. Passei a ter umas inseguranças que nunca tive. Sou muito decidida e, às vezes, me pego sentindo coisas que nunca senti. Aí eu vou gravar, e entendo exatamente o que eu estou sentindo.


Babado: Você chegou a ser elogiada pelas cenas de maior emoção. Foi muito difícil fazê-las?


Letícia Colin: É muito delicado. Me intriga muito tentar pensar como uma menina de 15 anos, criada no subúrbio, pelos irmãos, que é meio a mulher da casa, virgem, mas foi estuprada e ficou grávida. E ainda acha que a culpa é dela. Fazer essas cenas com culpa, com vergonha, é muito louco e muito novo pra mim. A gente sabe chorar, mas não fazer esse tipo de coisa. Essa complexidade de sentimentos como atriz tem sido muito reveladora para a minha vida. Isso sem falar que todos os meus tabus caíram. Tudo o que eu pensava que a pessoa pudesse sentir, ou alguma forma de alguém conduzir uma situação como esta, já ruíram. Neste momento crítico, nada é válido. A sorte dela é que ela tem muito amor. Por isso, ela também me traz muita esperança. Eu sou muito fã da Vivi. Neste momento da minha vida, é muito importante estar fazendo ela. 

 
Babado: O que você tem aprendido com ela?


Letícia Colin: A Vivi tem uma força muito grande, que é muito típico de todas as meninas do Brasil que já passaram por essa situação, que é o levantar por cima. As meninas sacodem a poeira e vão viver suas vidas. Muitas meninas já passaram por isso, e vão à luta, trabalham para sustentar os seus filhos. Então, eu estou lidando com um assunto de superação. Eu estou tendo esse olhar sobre a Vivi. É isso que traz a força. Ela mesmo sempre diz que, talvez, nos momentos mais duros, a gente fique mais forte.

 
Babado: Como é trabalhar ao lado do Dado Dolabella e do Leonardo Brício?


Letícia Colin: O Leonardo é uma coisa. E agora que eu comecei a fazer cenas com o Dado, estou adorando. É muito gostoso de trabalhar com ele, porque ele se doa muito em cena, é um cara muito presente. E o Léo é uma sumidade, em cena de emoção é uma coisa. Estou aprendendo também que aqueles que têm mais bagagem humana, são os melhores atores. Então, eu estou em busca da minha bagagem humana, para poder fazer bons personagens.

 
Babado: Isso inclui se permitir viver a vida mais intensamente?


Letícia Colin: Vou fazer 19 anos no dia 30 de dezembro e, até aqui, me protegia muito. Era muito certinha, só estudava, uma típica capricorniana. E agora, decidi que quero viver a minha vida com tudo o que eu tenho direito. Quero ser jovem, quero ser imatura, quero ser inconseqüente. Até porque eu preciso me alimentar dessas coisas.

 
Babado: Mas a Vivi chega a fazer o aborto?


Letícia Colin: Eu gravo nos próximos dias a cena em que ela decide que quer tirar o filho. Mas, entre ela decidir e isso acontecer, muita coisa vai rolar e outras possibilidades podem acontecer. Porque, no final das contas, ela decidir não adianta muito não. A palavra final é do irmão, Pedro (Leonardo Brício).

 
Babado: Que lição você tira disso tudo?


Letícia Colin: As novelas valem a pena pelas histórias que você conta, pelos encontros que você tem, pelas pessoas preciosas que encontra. É pelo dia a dia mesmo. No cinema, você fica três meses fazendo aquele filme, ok, você mergulha no personagem, mas acabou, acabou. Novela você tem que fazer o seu trabalho, gravar 20 cenas intensas como esta, voltar para casa e estar sã. Isso que é enlouquecedor. Porque a minha mãe não quer saber que tipo de cena eu fiz na novela. Ela quer que eu chegue em casa e jante junto com a família.

 

Você tem mais informações? Envie para Minha Notícia, o site de jornalismo colaborativo do iG


Philippe Lima/AgNews

Letícia Colin

Letícia Colin

publicidade

Contador de notícias