04/09 - 08:00hs
Morre no Rio o cantor Waldick Soriano
Atualizada às 13h56
O cantor Waldick Soriano morreu nesta quinta-feira (04), às 5h35, aos 75 anos, por consequência de um câncer de próstata. Ele estava internado desde a terça-feira (02) de manhã no Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Rio de Janeiro, por conta de problemas respiratórios e uma inflamação. O maior sucesso de sua carreira é a música “Eu Não Sou Cachorro Não.”
O corpo de Waldick será sepultado na sexta-feira (5) no cemitério São Francisco Xavier, no Caju, na região portuária. O velório está programado para a tarde desta quinta-feira na Câmara Municipal do Rio, no Centro da cidade.
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Waldick descobriu que estava com câncer de próstata em 2006, mas a doença já estava na fase de metástase – quando o câncer se espalha pelo corpo. Ainda lúcido, conseguia se alimentar, mas não podia andar mais.
Em 2008, seu estado de saúde foi considerado gravíssimo mas, ainda assim, Waldick permaneceu em tratamento em sua casa, na Ilha do Governador, zona norte do Rio de Janeiro.
Waldick Soriano deixa a esposa, Wanda, com quem estava casado desde 1971, oito filhos e um neto. Abalada, a família ainda não fala sobre o assunto.
Biografia
Eurípedes Waldick Soriano – mais conhecido pelos dois últimos nomes - nasceu em Caetité, interior da Bahia, no dia 13 de maio de 1933. Filho do comerciante Manuel Sebastião Soriano, foi abandonado ainda pequeno pela mãe e teve de aprender, desde cedo, a trabalhar. Waldick Soriano foi lavrador, agricultor e engraxate antes de descobrir o talento para a música.
Desacreditado pelos parentes, o boêmio e jovem Waldick decidiu deixar a cidade natal, na década de 50, para tentar a vida em São Paulo, incentivado pela vontade de se tornar um cantor famoso ou ator de cinema, sonho que também nutria. Mas seu destino era mesmo a música.
Assim que desembarcou na capital paulista, Waldick Soriano foi contratado por uma gravadora e logo seus amigos e parentes puderam ouvir sua voz nas rádios com a música "Quem és tu?", que dava nome ao primeiro disco do baiano. Até gravar este sucesso, o cantor ainda trabalhou como faxineiro, servente de pedreiro e motorista de caminhão para se manter em São Paulo.
Waldick costumava dizer que tudo o que aprendeu foi com a vida - que considerava uma grande universidade.
Cantor brega
Apesar de não gostar da alcunha de cantor brega, Waldick Soriano se aceitava como tal e declarava que seu forte eram as músicas românticas – definidas como canções de "dor-de-cotovelo" -, principalmente o bolero. Seu estilo musical se completava com o figurino pouco convencional da época. Óculos escuros, chápeu e roupas negras, como se estivesse sempre de luto por um amor perdido, tema recorrente em suas composições.
Fã de Durango Kid, Waldick incorporou o figurino de seu herói ao seu próprio vestuário. E acrescentou o paletó negro, que lembrava os malandros de cabaré, um dos locais mais visitados pelo cantor em suas viagens pelo nordeste – região brasileira onde mais se destacou.
Depois de "Quem és tu?", Waldick Soriano tornou-se conhecido por outros sucessos, como "Paixão de um Homem", "A Carta", "A Dama de Vermelho" e "Se Eu Morresse Amanhã". Mas sua mais famosa canção é "Eu Não Sou Cachorro, Não". No total, são mais de 500 músicas gravadas, sendo que a maioria é de sua autoria.
Mesmo sendo amigo dos militares, em 1962, Waldick Soriano foi alvo da censura imposta pela Ditadura Militar no Brasil por sua música intitulada "Tortura de Amor". O impedimento para que a canção fosse tocada era a presença da palavra "tortura", que não poderia ser pronunciada.
Apesar de ser uma música de amor e não ter nada a ver com a questão política, Waldick não pôde apresentá-la ao público na época.
Homenagem em vida
Fã incondicional de Waldick Soriano, Patrícia Pillar decidiu produzir um documentário sobre a vida do cantor e homenageá-lo ainda em vida, lançado em abril deste ano. Além do documentário, a atriz dirigiu um show dele, que foi gravado e lançado em DVD e CD.
A parceria entre o cantor e a atriz começou em um show de Waldick que Patrícia assistiu ao lado do marido, Ciro Gomes. Depois da apresentação, a atriz se aproximou de seu ídolo e disse que queria fazer um documentário sobre ele para apresentá-lo às novas gerações. Naquele mesmo momento começaram as gravações de depoimentos. Durante as filmagens, Waldick declarou que Patrícia era "um anjo que caiu do céu."
O filme traz imagens de participações do cantor em programas de auditório de Chacrinha, Flávio Cavalcanti e Silvio Santos, além de entrevistas e depoimentos.
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