19/07 - 17:58hs
Morre Dercy Gonçalves aos 101 anos
Atualizada às 20h31
A comediante Dercy Gonçalves morreu neste sábado (19), aos 101 anos, no Rio de Janeiro. Ela foi internada de madrugada no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital São Lucas, em Copacabana. Segundo a assesoria do hospital, ela sofria de pneumonia comunitária grave, que evoluiu para uma sepse pulmonar e insuficiência respiratória. Dercy morreu às 16h45. O velório é no domingo (20), na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. O enterro será apenas na segunda-feira (21), em Santa Maria Madalena (RJ), cidade natal de Dercy.
Fotos: Relembre momentos de Dercy Gonçalves
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Biografia de Dercy Gonçalves
A infância de Dercy Gonçalves foi pobre, mas “linda”, segundo a própria atriz. Não conheceu a mãe, que deixou a família após descobrir a infidelidade do marido. Para Dercy, que não gostava do colégio, a vida foi sua verdadeira escola. “Não vi a banda passar, acompanhei a banda”, declarava.
Conhecida do grande público, Dercy Gonçalves ficou famosa na TV por suas entrevistas irreverentes e pelo uso freqüente de palavrões. Mas a história da atriz começou no teatro de revista, nos anos 30 e 40. A primeira coisa que ela fez em teatro foi cantar, além disso, adorava imitar atrizes da época, como Theda Bara e Pola Neri. Outro gosto de Dercy era pintar o rosto. O povo “falava” dos costumes estranhos da moça, mas ela seguia feliz em busca da arte.
Após um noivado mal sucedido - e sem beijo na boca - entrou para a Companhia de Maria Castro. O teatro cantado passou a ser a paixão de Dercy, que estreou no palco em 1929, na cidade de Leopoldina. De tanto fazer teatro, virou especialista na comédia e no improviso, talento que a acompanharia por toda a vida.
A partir da década de 60, Dercy apostou em espetáculos solitários. As apresentações, feitas em teatros de todo o País, conquistam um público ainda cheio de moralismos. Nesses espetáculos aos poucos introduziu um monólogo no qual contava fatos autobiográficos.
Em 1985, a atriz recebe o Troféu Mambembe como melhor personagem de teatro, uma categoria criada especialmente para ela que, em setenta anos de carreira, não conquistou nenhum prêmio por seu desempenho como atriz.
Dercy estrelou diversos filmes do gênero chanchada e comédias nacionais, entre eles: “Samba em Berlim”, de 1943; “Abacaxi Azul”, de 1944; “Caídos do Céu”, de 1946; “Uma Certa Lucrecia”, de 1957; “A Baronesa Transviada”, de 1957; “A Grande Vedete”, de 1958; “Cala Boca Etelvina”, de 1959; “Só Naquela Base”, de 1960; “Com Minha Sogra em Paquetá”, de 1961.
Em 1963, Dercy Gonçalves foi considerada a atriz mais bem paga da TV Excelsior. Na Globo, Dercy comandou um programa de auditótio de muito sucesso, Dercy de Verdade (1966-1969), que acabou saindo do ar com o início da censura no País. No final dos anos 80, quando a censura permitiu maior liberalismo na programação, Dercy passou a integrar corpos de jurados em programas populares, como em alguns apresentados por Sílvio Santos, e até aparições em telenovelas da Rede Globo. No SBT voltou a experimentar um programa próprio que, entretanto, teve curtíssima duração.
Em 1991, foi enredo ("Bravíssimo - Dercy Gonçalves, o retrato de um povo") do desfile da Unidos do Viradouro, na primeira apresentação da escola no Grupo Especial das escolas de samba do Carnaval do Rio de Janeiro. Na ocasião, Dercy causou polêmica ao desfilar, no último carro, com os seios à mostra. Em 4 de setembro de 2006, aos 99 anos, recebeu o título de cidadã honorária da cidade de São Paulo, concedido pela câmara de vereadores desta capital.
Para saber mais:
Biografia oficial: “Dercy de Cabo a Rabo” / Maria Adelaide Amaral
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