| O que aconteceu com "O Aprendiz"? Nada. |
| Por: Carina Martins (carina@babado.com.br) |
De repente, todo mundo se pergunta o que aconteceu com O Aprendiz 3. A resposta é que não aconteceu nada. Literalmente: o programa é, basicamente, idêntico às edições anteriores. E, apesar da sensação geral, a audiência também não está tão diferente - a surra que levou do Topa ou não Topa no domingo rendeu média de oito pontos, que não está exatamente a um abismo de diferença das médias de estréia das outras temporadas (dez e 11 pontos). Aliás, nesta terça, a média do programa foi de dez pontos. O grande problema é que nesse "nada" está incluído o saldo da gigantesca expectativa criada pela própria Record. Divulgação em massa, ameaças ao Fantástico, prêmio dobrado. E não aconteceu nada. O Aprendiz prometeu e não entregou. No programa, seria motivo para demissão. Descontando-se, no entanto, a (importante) pisada na bola estratégica - que ainda terá um desenrolar essencial - fica o desempenho do próprio programa. As poucas mudanças que aconteceram foram bem sutis. Detalhes. Mas em um reality de fórmula rígida como esse, detalhes fazem diferença. Existe uma idéia comum de que se trata de um programa para a elite, com candidatos de alto nível discutindo grandes questões corporativas. Balela. Ontem mesmo um dos candidatos se afogou em piadinhas homofóbicas, enquanto outro disse que tem "descendência espanhola". É reality show. Pode até ter mais classe que a média do gênero. Mas é reality show. Dos bons. E, como tal, depende de alguns fatores para sobreviver, como a emoção da competição e elementos que possibilitem a empatia (ou não) com os candidatos. Nesta temporada, a edição está sensivelmente menos sofisticada, o que é uma pena. Nos primeiros episódios, foi difícil acompanhar detalhes das tarefas, por exemplo, que é o correspondente a não ver a performance inteira de um cantor no Ídolos, ou perder os cochichos no Big Brother. A idéia de incluir dicas dos especialistas é simpática, mas parece estar custando um tempo precioso do desenrolar do jogo. Os novos conselheiros também estão, por enquanto, aquém do time da primeira temporada - o rodízio entre eles é outra coisa que não ajuda. Mas há um elemento importante que nesta temporada parece superar os outros anos de O Aprendiz: os participantes. Em seu terceiro ano, os candidatos parecem especialmente dispostos a embates. Se a hiper-realidade corporativa proposta pela versão brasileira do programa sempre pecou pela inverossímil retração dos competidores, essa pode ser a chance de mudar. Só quando há disputas o telespectador pode escolher um lado. E, se nada aconteceu com O Aprendiz 3, talvez os candidatos façam acontecer. |