| A novela dos portugueses |
| Por: Carina Martins (carina@babado.com.br) |
O final de Como uma Onda foi fiel ao resto da novela: o casal protagonista teve um casamento bonitinho, mas nada arrebatador (até dividiram o altar com outro casal), o assassino do vilão não era um personagem grande, estava coberto de motivos e foi tão perdoado que até subiu aos céus (numa cena horrível), todo mundo ficou feliz, não houve nenhum grande conflito, nenhum grande clímax, nenhum grande problema. Foi...razoável. A novela que terminou nesta sexta foi sem dúvida a menos empolgante de uma safra de grandes sucessos, como a linda Cabocla e a divertida Chocolate com Pimenta. Como uma Onda começou seus dias apostando em um elenco bonito e muitas vezes de talento duvidoso, cenas de amor ardentes e aventuras mirabolantes. A aposta era furada, acertos foram feitos e aos poucos a história encontrou um rumo um pouco mais acertado. Alguns problemas continuaram, é claro, especialmente no que diz respeito ao elenco. Mas foi também entre os atores que estavam as melhores partes. A Dona Francisquinha de Laura Cardoso, evidentemente, além de Quebra-Queixo (Ernani Moraes) e das simpáticas crianças Rubico (Arthur Lopes), Gigi (Guta Gonçalves) e Franklin (Sérgio Malheiros). Mas, sem dúvida, essa novela foi dos portugueses. Os atores convidados chegaram sob um olhar desconfiado, uma chiadeira meio geral sobre o sotaque e...roubaram a novela do começo ao fim. Ricardo Pereira domou seu Daniel muito bem sem nunca perder o tom (nem mesmo nas cenas ridículas dos primeiros capítulos, em que caía de navios, fazia perseguições e se vestia de Carmen Miranda). O talento aliado à beleza lançou o portuga de estranho no ninho a estrela de primeira grandeza. E por mais que eu goste de Alinne Moraes, esta novela não foi seu melhor trabalho. Por isso, a química amorosa do mocinho da história rolava mesmo era com a personagem Almerinda, vivida por outra portuguesa, a atriz Joana Solnado. Tenho que confessar que, mesmo contra todas as evidências, torci até o fim para que eles ficassem juntos. Se Como uma Onda merece ser lembrada por alguma coisa, é pela talentosa visita de nossos irmãos de além-mar. |