Babado






notícia publicada em 06/06/2005 às 19:57

Desembucha, Repórter Vesgo!



Bruno Ondei, repórter iG em São Paulo (bondei@ig.com)

Rodrigo Scarpa tem apenas 24 anos. Sua experiência na televisão ainda é bem pequena. Entretanto, o rapaz consegue colocar as mais consagradas celebridades nas situações mais constrangedoras já transmitidas pela TV brasileira.

São poucos os que não conhecem sua criação. Na figura de um jornalista insolente e sarcástico, o repórter Vesgo faz a alegria de milhares todos os domingos, quando o programa “Pânico na TV” entra no ar.

Após várias semanas de tentativas frustradas de marcar uma entrevista, o “Desembucha!” conseguiu um buraco na lotada agenda do radialista, como ele prefere ser chamado. O papo deu-se após uma sessão de fotos de Scarpa para uma grande revista feminina.

Após fazer caras e bocas para a revista, o repórter Vesgo parou e falou de sua carreira, de famosos e mostrou que consegue falar sério. Não perca esta entrevista com a grande sensação do humor nacional!

Como você conheceu o Pânico?

O Pânico eu conheci porque era ouvinte do programa. Eu ligava lá, enchia o saco dos caras sempre. Ligava todo dia, desde 1994. Eles começaram a me ouvir e ver o que eu podia fazer. Eu era meio louco. Ficava passando trote para a Nair Belo, para o Serginho Groisman. Eu gravava e mandava pra eles via telefone. Os caras gostavam para caramba.

Depois comecei a ir na rádio. Saía de Minas Gerais, de Itanhandu onde eu morava, para ir na rádio Jovem Pan de vez em quando. Aí vim para São Paulo para fazer faculdade. Mandei o currículo para eles, eles me chamaram e eu comecei a trabalhar na promoção da Jovem Pan.

Eu ficava mandando idéias para o Emílio (Surita) e tal. E aí foi assim. Comecei a me infiltrar na produção. Depois eu saí da rádio e fui trabalhar com o Marcos Mion. Eu fazia o Corvo e fazia produção para ele também.

Então o Emilío me chamou de novo, para fazer uma outra proposta na televisão, que era o repórter estagiário. Era um repórter sério, mas não consegui fazer. Ele tinha um terninho. Aliás, o terno do Vesgo veio do terno desse repórter sério. Mas eu não consegui e dei uma lambida na cara de uma entrevistada.

Os caras ficaram loucos.

Quem era a entrevistada?

Era uma dona de casa. A gente ficava na casa das famílias tentando fazer uma coisa que era séria teoricamente. Os caras ficaram espantados. O diretor falou: “Meu, eu não acredito que você está lambendo a cara da entrevistada”.

Mas eu estava querendo implantar um novo estilo. Que era o do repórter louco. Um repórter meio lelé que fazia perguntas desconcertantes e tal. Eu queria inserir um outro estilo, um avesso de Amaury Júnior. Um anti-Amauri Júnior. Uma coisa que fosse completamente diferente do que estava sendo visto na televisão.

Aos poucos eu fui conseguindo implantar esse estilo e deu certo. Aí dei o beijo na Roberta Miranda, que durou 12 segundos. Todo mundo falou: “Pô. Esse cara é louco. Ta beijando a Roberta Miranda” (risos).

Até os próprios caras do Pânico começaram a me ver com outros olhos. “Pô, esse cara é louco. Vamos dar uma chance para ele. Vamos soltar eles nas festas”.

Me colocaram nas festas, junto com o Silvio e a dupla deu certo. A harmonia deu certo e estamos aí até hoje. Graças a Deus.

Como você descobriu essa sua veia para o humor? Na sua família você já tinha essa fama de ser o engraçadinho?

Na turma de colégio eu sempre era o cara que ficava zoando muito os CDFs. Toda turma sempre tem o gordinho, tem o não sei o quê, o outro que dá motivo para você brincar, você zoar. Eu era um dos caras que zoavam para caramba.

Apesar de ir bem, nunca ter pego recuperação nem DP, ao mesmo tempo eu ficava zoando os CDFs. Os caras que sentavam lá na frente, a menininha que ficava bitolada nas matérias. Eu já era meio zoeira.

Sempre quis fazer trabalhos meio malucos. Todos os trabalhos de faculdade, trabalhos de colégio eu sempre queria implantar alguma coisa diferente do normal, sabe? Eu não gosto de seguir os padrões rígidos que as coisas são impostas.

Quem nem: na televisão você tem o padrão daquele apresentador sério, que vai sortear os prêmios e não sei o quê. Eu acho que está meio ultrapassado isso. Então, você tem que inovar. Hoje em dia, se você não inovar, não tiver criatividade, você vai ser colocado na mesmice de sempre da televisão. A TV hoje tem muito espaço e pouco conteúdo. A maioria dos programas hoje tem muito espaço, ali tem várias horas de programa e pouco conteúdo. Então elas têm que encher lingüiça. A maioria das coisas que se vê na TV hoje é encheção de lingüiça.

Parece que os produtores e os criadores da TV não têm criatividade para colocar ali uma coisa que passe alguma mensagem. O Pânico hoje pensa nisso. Pensa em inovar, em ser uma nova linguagem. Um programa diferente de tudo aqui que já se viu nos últimos tempos.

Falando em televisão, como você vê os programas de humor atualmente?

Tem muita coisa que, lógico, a gente respeita, tem o público. A gente sempre brinca, né? Sempre que tem uma piada sem graça lá no programa a gente fala que é piada da “Praça É Nossa”. Não é que a “Praça é Nossa” seja sem graça. Não é isso. É que o humor da “Praça É Nossa”, do “Zorra Total” é um outro tipo de humor, que a gente tem que respeitar. Não é um humor que eu acho sensacional, mas é um humor que a gente respeita e que tem um público para isso. Tanto que tem audiência.

Tem boas tiradas ali também, mas é um humor de piadinha. Parece que você compra um livro de piadas na banca, passa para o roteiro e vai falar, entendeu?

Não tem uma coisa que choca. O humor do Pânico é uma coisa que choca. É uma coisa que é tão contraditória do humor tradicional que choca.

Mas eu gosto muito dos “Normais”, que é uma coisa inovadora. “A Grande Família”...tem muita coisa bacana hoje na TV, que tem que ser respeitada.

“Hermes e Renato”?

Putz! “Hermes e Renato” eu acho muito bom. Acho que eles conseguem, com poucos recursos, fazer um programa engraçado. Eles são muito bizarros. É um humor trash que eu acho muito engraçado.

Os “Cassetas” são engraçados, são criativos, sou fã deles. Mas acho que eles estão um pouco engessados na Globo. Eles não podem, por exemplo, brincar com o Silvio Santos, brincar com outras pessoas de outras emissoras. Então é complicado. Mas eles são muito bons.

Você acha que o tipo de humor que você faz se encaixaria em outro formato, ou em outra emissora?

Depende da liberdade que a emissora te dá. Se a emissora te der total liberdade para falar. Não falar o que você quiser, que a gente não pode ser o dono da verdade. Mas um pouco de liberdade para você brincar. Para você brincar com outras emissoras, com artistas da Globo, com os próprios artistas da casa. Você tem que ter uma liberdade.

Porque se você é engessado, você não dá certo em nenhum lugar. Isso eu estou falando no Pânico. Porque o Pânico hoje precisa ter liberdade para ter essa repercussão. A gente precisa de liberdade para criar. Se a gente não tem liberdade, isso acaba. A nossa criatividade depende da liberdade.

A partir do momento que essa liberdade é cortada, o Pânico passa a não existir mais. Se o Pânico um dia for para outra emissora, ele tem que ter total liberdade. Que é o que a gente tem hoje na Rede TV, onde a gente zoa até o próprio dono da empresa.

Existe algum contato prévio antes de zoar o dono da Rede TV, por exemplo?

Não! Eles deram essa liberdade para a gente. É como quando você vai brincar com um amigo seu e, se ele te dá liberdade, você vai lá, brinca e ele vai ficar na boa. Não vai ficar nervoso com você.

Você quer coisa mais “nonsense” do que beijar a careca do dono da emissora e ficar dançando do lado dele? Até brincar com lance do Marcelo de Carvalho, que é o vice-presidente da Rede TV e a Luciana Gimenes, que a namorada dele. A gente brincar que ela tem todas as vantagens. Que ela tem o melhor cenário do mundo. E que a gente está no pano de baixo. Isso é muito bacana. Eles dão essa total liberdade porque eles gostam também. E não é nada agressivo.

A intenção nossa não é agredir, não é humilhar. É brincar, fazer a pessoa em casa rir. Mas falando a verdade. A gente não deixa de falar a verdade na cara do entrevistado. É uma coisa que todo mundo sempre quis dizer e nunca teve coragem. A gente vai meio como porta-voz do povão para tirar todo esse glamour das celebridades hoje em dia.

Hoje em dia todo mundo quer ser celebridade. Você já não sabe mais quem é celebridade e quem é artista. É um questionamento que a gente sempre coloca nas matérias e que é bacana por que virou moda agora. Todo mundo quer ser famoso, todo mundo quer tirar uma casquinha da fama.

E hoje é você que se vê nesse papel de celebridade.

Pois é. Mas é uma coisa estranha. Porque a gente sempre critica isso. É complicado porque a gente critica a fama pela fama, sabe? Você entrar num “Big Brother”, na “Casa dos Artistas”, não ter o que passar para o telespectador e ainda assim quer ser famoso? A fama do Pânico vem como conseqüência de um trabalho que está sendo feito desde .

O Pânico está aí há 10 anos, então isso não surgiu do nada. A gente não disse “vamos agora ser famoso por ser famoso”. É esse o antagonismo que volta contra a gente. Falam: “agora vocês são celebridades”. Não. A gente não procura ser. A gente não procura e nem quer ser.

O Vesgo critica isso. É um antagonismo estranho até. A gente não critica as celebridades, a gente critica a celebridade vazia. Aquela que não tem conteúdo.

Onde começa o Vesgo e onde começa o Rodrigo?

O Vesgo é muito cara de pau, o Rodrigo também. Sou persistente. Tudo o que consegui hoje foi pela persistência, de ficar ali tentando. Ligando para a rádio, enchendo o saco do Emílio. Não sendo chato, eu sabia o limite de não extrapolar, mas queria mostrar alguma coisa. E sempre com conteúdo.

Por isso que eu fiz (faculdade de) Rádio e TV. Para não chegar do nada na televisão. Eu quis ter uma base de produção, base de edição. Tudo que eu faço eu gosto de me envolver. Gosto de estar junto da criação, do editor.

Você no Pânico tem um papel também nos bastidores?

Tenho. Saindo daqui vou para Jovem Pan ter reunião de pauta para já bolar as idéias para o programa de domingo. A gente já senta, já cria. Todo mundo se une ali para fazer programa bacana no domingo, com conteúdo. Com idéias. Para não ficar encheção de lingüiça.

Você já encontrou as pessoas que você teve diferenças no programa, como Luana Piovani, Victor Fasano, Luisa Thomé, fora do personagem?

Não. Eu queria muito encontrar com eles fora do personagem. Até porque eles são atores. Eles, mais do que nunca, devem saber que o que eu faço na televisão é um personagem. Então se eles não encaram isso fora do ar com naturalidade é porque não sabem que o que eu estou fazendo é um personagem e que fora do ar eu sou normal, como eles. Tenho momentos de alegrias, de tristezas, de mau-humor, de bom-humor. Eu também sou assim. Também sou filho de Deus.

Teve algum entrevistado de que você teve receio de abordar? De repente algum ídolo seu...

O Silvio Santos, não é que eu fiquei com receio. Foi uma realização de um sonho profissional. Um dos meus sonhos era encontrar o Silvio Santos e um dia poder entrevistar o “homem do baú”. Ele é um dos ícones da TV brasileira. Foi uma emoção tamanha encontrar com o Silvio Santos. Tanto que quando eu olhei, não acreditei que ele estava ali atrás dando uma entrevista para a gente. Falando com a gente na maior naturalidade, como se ele estivesse tomando um chá da tarde com a mãe dele. (risos)

Eu fiquei emocionado. Não dormi no outro dia só de pensar que eu tinha entrevistado o Silvio Santos. Era uma realização profissional. O Ceará também ficou muito emocionado.

Esse foi um momento muito marcante. Foi muito recente, mas foi muito marcante para mim. Eu tenho certeza que isso vai marcar por muitos anos.

Você acha que esse foi o momento que mais te marcou no Pânico?

Que mais me marcou! Foi bom entrevistar ele. E o jeito que ele tratou a gente, sabe? Como um amigo, como se a gente já se conhecesse há muito tempo. O cara foi muito bacana. Tratou com bom-humor e deu um grande exemplo para esses artistas que se acham a última bolacha do pacote. Começaram agora e se acham os gostosões, os bonzões da televisão brasileira.

Aliás, você artista, por favor aprenda com o mestre da TV brasileira Silvio Santos. Que está aí há vários anos, foi camelô e ralou para caramba e olha só a simpatia e a simplicidade dele.

Ele tem uma fita cassete do Julio Iglesias no carro dele! É uma das coisas mais absurdas que eu já pude ver. Eu não acreditava que ele fosse tão simples assim. Mas é legal isso, essa simplicidade do artista. E é isso que a gente sempre questiona. A arrogância do artista é questionada pelas sandalhas da humildade.

Você acha que essa simpatia do Silvio se deve um pouco ao interesse que ele teria em contratar o pessoal do Pânico?

Eu não sei. Pode ser. Mas eu acho que mesmo que ele não estivesse interessado, ele tem essa humildade. Eu nunca vi ele dar entrevista em lugar nenhum assim. Pode ser que seja que tenha algum interesse aí. Dele querer levar a gente para o SBT. Não sei...Mas que ele foi bacana com a gente ele foi.

Não é muito comum os artistas falarem com tanta abertura como vocês falam sobre interesse de outras emissoras sobre vocês. No último Pânico na TV, vocês mostraram uma toalha que o Silvio Santos teria mandado para vocês

Ele mandou uma toalha pro Emílio, para mim e para o Ceará. Uma toalha do SBT. Estou com ela na minha casa.

A Rede TV nunca reclamou de vocês tratarem esse assunto de maneira tão aberta?

Eu acho que na vida, até quando você é um empregado e alguém te chama é bacana. É uma conseqüência de um trabalho que está sendo feito e está dando resultado.

Não tem problema nenhum de falar abertamente. Mesmo por que a gente não é de ficar fazendo leilão com ninguém. A gente fala.

Quem já chamou vocês?

Muita gente já me chamou durante esse tempo. Mas eu acho que o grupo não funciona com uma pessoa, com duas ou com três. É um grupo, é a essência. É o Pânico que está ali. É muito legal trabalhar hoje junto com todo mundo.

A relação que vocês têm lá é boa?

É uma relação bacana e o grupo está dando certo desse jeito. É melhor não mexer em time que está ganhando não. Mas eu nunca vou dizer nunca para você. Vai saber. Eu não sei o que vai acontecer da minha vida daqui uns 10 anos. Tomara que grupo seja bem unido. Seja forte. Porque a gente tem que ser forte também.

Num momento de sucesso, muita gente quer desestabilizar o grupo. Muita gente quer acabar, pegar um, pegar dois. Tirar do ar mesmo. Como a Globo já fez isso com pessoas que estavam fazendo sucesso.

Você fica desconfiado. Você não sabe se a emissora está te chamando porque ela gosta mesmo de você, porque ela tem um projeto bacana para você. Ou se ela está te chamando para minar grupo. Para tirar você, porque está dando audiência e tirando você o grupo se desestabiliza.

Para sair, tem que ser uma coisa que a gente acredite. Mas a Rede TV está dando uma liberdade que nenhuma emissora até agora se mostrou disposta a dar para a gente. A liberdade que a gente tem hoje lá é muito bacana, muito legal.

Mas o Silvio está querendo, né? (risos) Vamos ver o que vai dar essa história.

Tem alguma coisa que você se arrependa de ter feito no programa?

Muita coisa que a gente faz às vezes é errado. A gente não é o dono da verdade. Eu me policio. Porque eu não posso agredir o entrevistado. Não posso humilhar o entrevistado. Eu não tenho esse direito.

Por mais que eu seja cara de pau e sincero, eu não tenho esse direito. Hoje em dia eu me policio muito mais para ser sutil nas críticas. Fazer a crítica com bom-humor, de forma inteligente e sutil, que não humilhe o entrevistado.

A preocupação hoje é saber esse meio-termo, esse limite do bom-senso. Muita coisa que eu fiz pode ser que não tenha agradado. Mas a gente está aprendendo. A gente é novinho ainda. A gente é bebezinho na televisão, tem só 1 ano e meio. A gente tem muito para aprender.

Eu tenho 24 anos. Tenho uma vida inteira pela frente ainda para aprender a fazer TV. Se eu errei em alguns momentos, eu assumo que errei e vou procurar sempre melhorar. Sempre fazer uma coisa bacana para o espectador dar risada e fazer o entrevistado se sentir a vontade, se sentir bem. Nossa meta é essa.

Qual artista que você virou fã após o programa?

A Susana Vieira. Ela é um exemplo de simplicidade, de carinho. É engraçado que boatos de dentro da Rede Globo dizem que ela é difícil de entrevistar. Mas em nenhum momento eu achei isso. Ela soube lidar muito bem com o Pânico. É uma pessoa simpática e eu fiquei fã dela. Já dei três selinhos nela, tamanha a simpatia que ela demonstrou com a gente.

Ela e o Silvio Santos. Ele, se eu já era fã, fiquei mais ainda. É uma cara muito simples. Anda num carro simples, tem uma fita cassete no carro dele. Mesmo depois do seqüestro, a casa dele continua sem muita segurança. Eu subi no muro na casa dele. Se eu quisesse entrar, eu entrava.

Ele é muito simples, e essa simplicidade que faz dele um dos maiores ícones da televisão brasileira.

Perguntas dos Internautas

Edson Costa – Ilhéus/BA
Você já deu selinho em homem. Porque, se sim, você é meio viado ou 100% boiolão

(risos) Não, não. Selinho em homem não! Só no Silvio. Eu pedi um selinho para ele. Eu sou tão fã dele que eu ia pedir um selinho, que era o único homem que eu ia dar selinho. Mas eu estou pouco me lixando para o que o cara pensa ou o que não pensa. O tamanho da giromba, só as mulheres podem conhecer. (risos) Não preciso provar nada para ninguém.

Luis Renato Carneiro – Castro/Paraná
Você é parente de um certo playboy com hábitos no mínimo duvidosos?

Chiquinho Scarpa. Eu acho que não. Eu nunca precisei usar o nome dele. Até ele falou para mim: “Eu tenho orgulho de você porque você nunca precisou usar meu nome para crescer”. E nem é minha intenção também. Então eu não sei se eu sou primo dele.

Precisa pegar a árvore genealógica do Chiquinho Scarpa e a minha. A minha família é de Minas, a dele é de São Paulo. Deve ter algum parentesco lá longe. Algum ente da Itália que chegou aqui. Nosso tataravô. Eu não sei se eu sou primo dele. Precisa checar isso. É uma dúvida que também eu tenho.

Letícia Godói – Santos/SP
Qual foi o melhor e o pior selinho que você já deu? Alguma celebridade tinha bafo?

(risos) O beijo da Roberta Miranda eu fui meio sarcástico, né? É que ela levou muito a sério. Ela ficou querendo colocar a língua e eu tentando fechar a boca, mas ficava rindo. Eu não vou dizer nada, mas depois do beijo ofereci uma bala para ela. (risos) Mas é brincadeira. Não que ela tinha bafo. Mas foi uma brincadeira para o espectador em casa dar risada.

O melhor foi o da (pensativo). Está meio pau a pau o da Xuxa e o da Nívea Stelman. Por que o da Nívea Stelman teve a autorização do Mário Frias, que estava do lado. Ele autorizou e depois eu chamei dele de Chinfronézio. Então foi um selinho bastante emocionante. Foi um selinho que não esqueço.

E não existe pior. Todos os selinhos foram bons. Se bem que o da Dercy Gonçalves estava meio com gosto de teia (risos). Não digo que foi o pior, mas não foi um dos melhores também.

Mas teve muitos bons. Da Yasmin Brunet, da Susana Vieira, da Wanessa Camargo. Têm muitas na lista. Eu já perdi a conta.

Eu queria beijar o papa agora! Deve ser legal beijar o Papa. Não na boca, não selinho! Beijar a careca do papa. Homem eu beijo a careca de cima, não a de baixo.

Como você se define? Você é um repórter, é um humorista...

Eu já vi jornais escrevendo de tudo. “O humorista”, “o ator”, “o repórter”. Não sei o que eu sou. Juro que não sei. Eu sou formado em Rádio em TV, então sou radialista. Então acho que me defino como um radialista que está na frente da televisão fazendo um personagem. Acho que sou radialista. Mais que humorista, mais que qualquer outra coisa.

Quando você fala do Vesgo, você o trata como se fosse outra pessoa. Isso é coisa de ator.

É para diferenciar, porque as pessoas confundem muito. Querem te ver daquela forma na rua. Querem que eu fique o tempo inteiro rindo, fazendo caras e bocas e eu sou um cara normal. Aliás, você que está vendo esta entrevista, está vendo que eu sou um cara normal. Estou falando sério pela primeira vez. Porque vocês estão entrevistando o Rodrigo, não o Vesgo.

Eu procuro distanciar porque tenho vida também. Sou normal. Sou bem-humorado, mal-humorado, tenho várias características que qualquer pessoa tem. Não estou 24 horas rindo, como o Vesgo está.

Eu sou um cara bem-humorado e até muito paciente com essas coisas. Mas é complicado. Você está na rua e os caras chegam e dão um puta tapa na sua cabeça. “Pedala Robinho” e mais outras besteiras que o Pânico inventa.

Tudo o que a gente faz com os artistas, o público se vinga 10 vezes mais com você. Mas existem pessoas e pessoas também. Tem gente que chega com educação. Acho que esse assédio com quem trabalha em programa de humor é bem pior que qualquer outro tipo de assédio. Porque a pessoa te cobra de contar uma piada, de estar alegre 24 horas.

Às vezes você está numa balada, quer ficar no seu canto, está bebendo com os amigos. Você não é palhaço 24 horas. Mas eu sou bem-humorado para caramba. Levo na brincadeira. Quando as pessoas vêm brincar comigo, eu brinco também. Tenho a maior paciência com todas as pessoas que gostam do trabalho. E isso é muito bacana.

O que você teve que deixar de fazer depois de estourar como repórter Vesgo?

Deixar de sair com os antigos amigos, sabe? Com os amigos que vão para os lugares normais. Que vão para uma balada e ficam no meio do povão. Que vão para um show e ficam no meio da galera. Eu sou um cara que gosto de ficar no meio da galera. Eu não tenho estrelismo. Não subiu na minha cabeça o sucesso. Não tenho isso.

Aliás, eu sou muito humilde. Essa coisa de interior, de manter as amizades, os amigos, as pessoas. Ir num boteco, cara. Eu gosto de ir em boteco. Botecão mesmo, de esquina. De sentar lá e ficar trocando idéia.

É legal sentar com os amigos e trocar idéia. E é uma coisa que você deixa de fazer. Por exemplo, não dá para ir num lugar muito lotado que tenha uma concentração enorme de jovens. Não dá mais para ir nesses lugares. Então eu virei uma pessoa caseira por conta disso.

Mas é assim. É a vida. A televisão é assim. Ela tem os pontos que são bacanas e tem o preço que se paga. Mas não é ruim isso. Isso é muito bom. O reconhecimento é bacana. Só deixei de fazer coisa que fazia antes.

Mas procuro também, vira e mexe, fazer isso.