| Almerinda é tudo |
| Por: Carina Martins (carina@babado.com.br) |
Lembro que, quando "Como uma Onda" começou, teve gente reclamando do sotaque do protagonista português e até dando uma chance à xenofobia ao reclamar do espaço dado a um ator estrangeiro (ignorando, evidentemente, que os programas da Globo são praticamente a norma em Portugal). Pois bem. Não demorou muito para ficar claro que, se isso era um problema, era o menor da novela. Aliás, Ricardo Pereira segurou a onda de protagonizar a trama das seis com muito mais competência que suas parceiras brasileiras Alinne Moraes e Mel Lisboa. E em pouco tempo virou um dos campeões de correspondência da Globo. E esse era um dos problemas de "Como uma Onda". Por mais que eu e boa parte dos telespectadores gostemos de Alinne Moraes; e eu e uma parcela bem menor do público simpatizemos com Mel Lisboa, a verdade é que faltava muita coisa no triângulo amoroso central, principalmente no que diz respeito ao amadurecimento das duas belas e jovens atrizes. Faltava. Porque Almerinda, a amada original de Daniel, entrou de vez na trama ao deixar Portugal e vir para o Brasil com o ex-namorado. Finalmente o triângulo - que é na verdade um pentágono, porque tem também o JJ - está ficando interessante. Joana Solnado, a intérprete portuguesa de Almerinda, está colocando suas rivais no chinelo. O desempenho dela aumenta a cada dia a chance, ou pelo menos a torcida, de que Daniel esqueça Nina e fique com seu verdadeiro e primeiro amor. A diferença entre as atrizes é tão grande que aconteceu o impensável - Alinne Moraes, indiscutivelmente linda e eleita a mulher mais sexy do Brasil, anda tão apagada que às vezes até sua beleza perde para a de Almerinda, bem mais humilde nesse aspecto. A novela das seis é dos portugueses. * O Superpop desta segunda deu um desastroso passo maior que a perna. Esqueceu que o constrangedor quadro "Vai encarar?" - em que "entrevistadores" gritam com os convidados e cobram satisfações de sua vida pessoal como se fosse o Juízo Final - só existe porque tem gente desesperada por holofotes e sem talento o suficiente para saber que só terá seus quinze minutos de fama ao submeter-se a humilhações públicas. Ao esquecer que pessoas normais e artistas jamais aceitariam esse constrangimento, convidaram José Mojica Marins para participar da "entrevista". Não deu certo, claro. Submeter um artista renomado de 76 anos a constrangimentos e brincadeiras de Jerry Springer não tem graça. E qualquer que tenha uma alternativa - como é o caso de Mojica, que tem uma carreira para cuidar e não precisa fazer micagem em programa de auditório - mandaria os realizadores do programa às favas. Foi o que aconteceu. |