Babado






notícia publicada em 11/09/2001 às 19:25

Leia depoimento da modelo Gisele Zelauy sobre NY



A modelo brasileira Gisele Zelauy, de 33 anos, que vive há 10 em NY
A modelo brasileira Gisele Zelauy, de 33 anos, que vive há 10 em NY
"Hoje de manhã, por volta das 8h45, escutei uma explosão e corri para a janela. O estúdio de pintura onde moro fica na Bond Street, lower Manhattan, e dá para ver as Twin Towers daqui. Mas como tinha muita fumaça preta e já se ouviam sirenes por todos os lados, resolvi subir até a cobertura. De lá, dava para ver um rombo enorme ao lado do prédio, muita fumaça e fogo saindo da abertura. Corri para a TV e ninguém cogitava nada sobre terrorismo, parecia mesmo um acidente de avião. Mas olhando para o estrago já dava uma sensação de que tudo voltaria ao normal e que as vítimas seriam evacuadas do prédio, sem pânico. Minutos depois, a rede de TV saiu do ar e corri de novo para a cobertura. Foi aí que o outro avião bateu direto na outra torre. Parecia cena de filme. Fiquei parada olhando aquele absurdo e com certeza já estava evidente que era um ato terrorista. A TV lançou depoimentos do presidente e começou a veicular relatos de pessoas que estavam se jogando do prédio. Aliás, dava para ver as pessoas se jogando em desespero enquanto o segundo avião causou uma explosão enorme. O barulho na cidade era de sirenes e pessoas gritando de um lado para o outro. Olhando aquele estrago me deu muita pena das pessoas que estavam naquele andar trabalhando e que com certeza estavam mortas. E também pelo prédio, que eu sempre achei lindo. Fiquei olhando sem acreditar no estrago, pensando no começo de uma guerra e de um ataque tão covarde. De repente o prédio implodiu e desapareceu. Eu queria ver melhor porque não dava para acreditar. Tinha muita fumaça, mas dava para ver que não havia mais uma torre. Não consigo imaginar o que vai ser olhar para downtown e não ver mais aqueles dois prédios. Na cobertura, cinco horas depois do incidente e sem as torres gêmeas no cenário, lembrei que de manhã ainda parecia possível consertar o estrago, mas agora não tem mais jeito. As pessoas estão perplexas e NY está calada. Me aperta o coração e a vontade de ver os responsáveis punidos é muita. Downtown está submersa em fumaça, e sob a fumaça preta há muito concreto, corpos presos nos destroços do prédio. Bombeiros que perderam a vida enquanto tentavam evacuar o WTC desapareceram junto com os 110 andares de ferro e cimento, uma montanha de papel vôou junto com a explosão, e o estrago para uma economia já caótica não vai ajudar muito a moral de Wall Street. Estou na frente da janela olhando a fumaça e ouvindo a TV para saber que tipo de sangue eles estão precisando agora. Eles precisam de O - e a fila estava enorme. Pediram para eu voltar amanhã porque vão precisar de mais sangue. Não fui até o local do acidente porque estava tudo bloqueado e eu queria saber mais sobre os outros aviões seqüestrados que ainda estavam voando. As ruas não tinham muitos carros. só ambulâncias e pessoas andando perplexas. A cada esquina um carro ou outro tinha o rádio no último volume com mais notícias sobre o Pentágono. Ninguém consegue acreditar em voltar a uma vida normal. Os supermercados, como em qualquer crise, estão sem água mineral, tudo vendido, as prateleiras vazias e bagunçadas. Mas, como disse o prefeito, não podemos deixar este incidente abalar a estrutura da nossa cidade. Todos os aeroportos estão fechados até amanhã ao meio-dia. Não parece que estávamos prontos para uma tragédia, mas ninguém entrou em pânico. Todos tentam ajudar uns aos outros. Existe um espírito de camaradagem que ninguém esperava numa cidade tão fria quanto NY." A modelo Gisele Zelauy, de 33 anos, é moradora de Nova York há mais de 10 anos. Clique aqui para ler mais sobre outras personalidades brasileiras que estão nos Estados Unidos


Babado - Famosos e celebridades pertinho de você - Leia depoimento da modelo Gisele Zelauy sobre NY
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A modelo brasileira Gisele Zelauy, de 33 anos, que vive há 10 em NY
A modelo brasileira Gisele Zelauy, de 33 anos, que vive há 10 em NY
"Hoje de manhã, por volta das 8h45, escutei uma explosão e corri para a janela. O estúdio de pintura onde moro fica na Bond Street, lower Manhattan, e dá para ver as Twin Towers daqui. Mas como tinha muita fumaça preta e já se ouviam sirenes por todos os lados, resolvi subir até a cobertura. De lá, dava para ver um rombo enorme ao lado do prédio, muita fumaça e fogo saindo da abertura. Corri para a TV e ninguém cogitava nada sobre terrorismo, parecia mesmo um acidente de avião. Mas olhando para o estrago já dava uma sensação de que tudo voltaria ao normal e que as vítimas seriam evacuadas do prédio, sem pânico. Minutos depois, a rede de TV saiu do ar e corri de novo para a cobertura. Foi aí que o outro avião bateu direto na outra torre. Parecia cena de filme. Fiquei parada olhando aquele absurdo e com certeza já estava evidente que era um ato terrorista. A TV lançou depoimentos do presidente e começou a veicular relatos de pessoas que estavam se jogando do prédio. Aliás, dava para ver as pessoas se jogando em desespero enquanto o segundo avião causou uma explosão enorme. O barulho na cidade era de sirenes e pessoas gritando de um lado para o outro. Olhando aquele estrago me deu muita pena das pessoas que estavam naquele andar trabalhando e que com certeza estavam mortas. E também pelo prédio, que eu sempre achei lindo. Fiquei olhando sem acreditar no estrago, pensando no começo de uma guerra e de um ataque tão covarde. De repente o prédio implodiu e desapareceu. Eu queria ver melhor porque não dava para acreditar. Tinha muita fumaça, mas dava para ver que não havia mais uma torre. Não consigo imaginar o que vai ser olhar para downtown e não ver mais aqueles dois prédios. Na cobertura, cinco horas depois do incidente e sem as torres gêmeas no cenário, lembrei que de manhã ainda parecia possível consertar o estrago, mas agora não tem mais jeito. As pessoas estão perplexas e NY está calada. Me aperta o coração e a vontade de ver os responsáveis punidos é muita. Downtown está submersa em fumaça, e sob a fumaça preta há muito concreto, corpos presos nos destroços do prédio. Bombeiros que perderam a vida enquanto tentavam evacuar o WTC desapareceram junto com os 110 andares de ferro e cimento, uma montanha de papel vôou junto com a explosão, e o estrago para uma economia já caótica não vai ajudar muito a moral de Wall Street. Estou na frente da janela olhando a fumaça e ouvindo a TV para saber que tipo de sangue eles estão precisando agora. Eles precisam de O - e a fila estava enorme. Pediram para eu voltar amanhã porque vão precisar de mais sangue. Não fui até o local do acidente porque estava tudo bloqueado e eu queria saber mais sobre os outros aviões seqüestrados que ainda estavam voando. As ruas não tinham muitos carros. só ambulâncias e pessoas andando perplexas. A cada esquina um carro ou outro tinha o rádio no último volume com mais notícias sobre o Pentágono. Ninguém consegue acreditar em voltar a uma vida normal. Os supermercados, como em qualquer crise, estão sem água mineral, tudo vendido, as prateleiras vazias e bagunçadas. Mas, como disse o prefeito, não podemos deixar este incidente abalar a estrutura da nossa cidade. Todos os aeroportos estão fechados até amanhã ao meio-dia. Não parece que estávamos prontos para uma tragédia, mas ninguém entrou em pânico. Todos tentam ajudar uns aos outros. Existe um espírito de camaradagem que ninguém esperava numa cidade tão fria quanto NY." A modelo Gisele Zelauy, de 33 anos, é moradora de Nova York há mais de 10 anos. Clique aqui para ler mais sobre outras personalidades brasileiras que estão nos Estados Unidos