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08/10 - 11:01hs

Policial civil derrota capitã da PM em eliminatória do concurso para Rainha do Carnaval do Rio em 2011

Marianna Wachelke, especial para o iG

Um zigue-zague de mulheres se arrumando no camarim, bateria a postos, oito júris acomodados na mesa e torcidas empunhando bandeiras de suas candidatas completaram o cenário da Cidade do Samba, zona portuária do Rio, nesta noite de quinta-feira (7). Nada diferente de mais um concurso para Rainha do Carnaval Carioca, senão a presença de duas policiais entre as 21 concorrentes: a capitã da PM Juliana Pereira e a inspetora da Delegacia de Homicídios de Niterói, Isabella Picanço, que levou a melhor nesse duelo de musas “bem equipadas”.

 Veja também: a galeria com o ensaio das policiais

Isabela Kassow
A PM Juliana Pereira e a policial civil Isabella Picanço posam no camarim

 

Depois de serem entrevistadas, sambarem o “miudinho” e mostrarem o “samba no pé”, o júri escolheu oito finalistas para a decisão da Rainha, marcado para 5 de novembro, data que escolherá também o Rei Momo. Apesar de demonstrar confiança e simpatia na apresentação, Juliana não alcançou os pontos no requebrado e não foi escolhida para a próxima etapa. Já Isabella esteve entre as mais aplaudidas pela torcida e concorre a vaga na corte do Carnaval do Rio de Janeiro com a professora de balé Andréa Machado, as dançarinas Graciele Ferreira e Verônica de Oliveira, as estudantes Talita Del Castilhos, Suzan Gonçalves e Jéssica de Freitas e a professora de educação física Bianca Ferreira.

 

Esquentando os tamborins

 

Foram os amigos que incentivaram a capitã da PM Juliana Pereira, 27 anos, a se inscrever para a disputa da Rainha do Carnaval do Rio 2011 que, até a última semana, não sabia do uso obrigatório de biquíni. “Pensei que podia shortinho, então fiquei preocupada e comecei a me cuidar mais”, declarou a loira de olhos castanhos de 1,75m de altura.

 

A preparação da PM incluiu massagem modeladora, aulas de samba e corrida diária de 30 minutos. “Estou apavorada. As meninas estão super preparadas, são profissionais”, comentou Juliana sentada de roupão branco no camarim adaptado, entre mais 20 mulheres de biquíni fio-dental. Formada em Direito e pós graduada em Segurança Pública e Cidadania, Juliana completou nove anos na polícia e garantiu que tem o apoio dos colegas. “Tem gente que foi contra, mas esses não se manifestaram”, disse firme. Juliana trabalha com serviço burocrático assessorando uma juíza, não trabalha fardada, mas já participou de operações policiais no Morro do Vidigal, Zona Sul do Rio de Janeiro.

 

Isabela Kassow
Juliana observa Isabella sem saber ainda que minutos depois seria derrotada

 

No regulamento do concurso, quem conquistar a faixa de Rainha, leva o prêmio de R$ 20.000, já as duas Princesas, levam R$ 15.000 e Juliana já tem o destino certo se alcançar uma das posições. “Vou dar entrada num apartamento”, respondeu rápido. “Moro no Anchieta e trabalho no Centro, quero morar mais perto”, completou Juliana, que é fã de Beyoncé, acha que seus olhos são seu melhor artifício e odeia os pés. “Calço 39”, explicou com uma careta.

 

Da delegacia às aulas de pole dance

 

Do outro lado do camarim, uma loira de cabelos compridos é maquiada enquanto se concentra no meio de um empurra-empurra de mulheres disputando uma tomada para os últimos retoques nos penteados. “Estou tranquila e confiante”, disse a inspetora da Delegacia de Homicídios de Niterói, Isabella Picanço, 33 anos. Após esfumaçar as pálpebras de Isabella com sombra escura, o maquiador começa a passar base e corretivo na coxa da candidata. “Estou com roxos de praticar pole dance”, explicou a policial que, desde março, concilia a prática do exercício, com musculação, aulas de samba e uma dieta equilibrada.

 

Isabella trabalha em investigação com uma equipe de 15 homens, já passou por momentos arriscados em operações de apreensão de drogas e afirmou que tem todos os requisitos para ser vencedora do concurso: “Desenvoltura, beleza e carisma”, resumiu. Se ganhar o prêmio, ela vai investir no próprio papel de Rainha. “Vou usar a verba para investir no próprio RioTur (empresa de turismo do Rio de Janeiro, responsável pela corte do samba), afinal são vários compromissos, é preciso de uns 10 looks e cada um custa por volta de R$ 600”, explicou.

 

Decidida e com andar firme, a policial civil já terminou namoro por causa do samba: depois de cinco anos, o ex-namorado a fez escolher entre o relacionamento e o Carnaval. “Escolhi o Carnaval”, sorriu Isabella, que há um mês começou um novo namoro. “Muitos homens ficam intimidados quando descobrem que sou policial, mas ciúme não dá para mim”, argumentou, enquanto amarrava o biquíni e ajeitava os seios turbinados com 235ml.

 

Os 15 últimos minutos

 

O coordenador do concurso Marquinhos chega apressado no camarim e dá o aviso para as candidatas: “Faltam 15 minutos!”. Em seguida, as orienta sobre as provas da noite. Primeiro será uma entrada com coreografia com todas juntas, depois vem a etapa individual, que consiste em 30 segundos de “miudinho” na frente dos jurados, responder uma pergunta no microfone e 40 segundos finais de “samba no pé”. Enquanto Isabella termina de fazer chapinha no cabelo e percebe que a cola de cílios postiços grudou em uma madeixa atrás das costas, Juliana espera sentada. “Não sabia que podia trazer cabeleireiro, então acordei cedo, fiz tudo no salão e estou pronta desde às 15h. É a falta de experiência”, brincou a PM.

 

Isabela Kassow
Isabella, número 9, posa feliz já classificada para as finais do concurso
 

 

As duas se conheceram no Carnaval deste ano, quando participaram de uma reportagem para o Jornal Extra e, desde então, mantiveram o contato. “A Isabella é um amor de pessoa e até fizemos aula de teatro juntas por um tempo”, lembrou Juliana, pouco antes de ter uma crise de cãibra ao calçar a sandália.

 

Na sala ao lado, a mesa do lanche continua intacta – só um ou outro acompanhante degusta uma fruta – e a atenção dos jornalistas com a dupla de policiais desperta fofocas entre as candidatas. “Aqui tem muita concorrência, tem muita fofoquinha, mas no fim o importante é ter samba no pé”, concluiu Jaqueline Rocha, de 27 anos. O diretor da bateria Rio Samba Show, responsável pelo som da festa, garantiu que esse ano o nível está mais alto que 2010. “É sempre uma surpresa, mas o último concurso foi decepcionante no quesito beleza”, disse.

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Isabela Kassow

Juliana Pereira e Isabella Picanço

Juliana Pereira e Isabella Picanço sem as fardas na disputa para musa do samba

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