27/02 - 17:23
BBB8:Crítica - Cabrito marcado para morrer
E o Felipe foi defenestrado da casa, quem diria... Tava
na cara, né? BBB é que nem circo romano, queremos sangue na arena.
Quem não for gladiador que caia fora do Coliseu. O pão a gente pega
na geladeira, mas o circo tem que ser fornecido pelos participantes.
Se esfregando, atazanando, brigando, conchavando, sofrendo,
manipulando, enfim, disputando a tapa aquele um milhão.
O negão era muito gente boa, jamais daria o que nós queremos ver. “Ele se desesperou” disse o Rafinha, “Todo mundo quer fazer papel de
bonzinho”, ironizou o emo. “Nesse país os bonzinhos se ferram”,
decretou Marcelo, o ursão. O “desespero” de Felipe o fez ensaiar um
discurso racial, mas ele não é nenhum Barack Obama, não funcionou. E
nos últimos dias foi excessivamente prestativo nas tarefas da casa.
Fez isso porque sentia a corda apertar no pescoço. Exagerou, errou a
dose. Achou que fosse a tábua de salvação, mas sua bondade era uma
âncora. Afundou. O povo sacrificou o cabrito.
Moral do paredão: quem fica em cima do muro já está quase fora da
casa, basta um empurrãozinho e tchau.
Fidel concorda comigo: nada é mais divertido que um bom paredão. O
sermão gaguejado do Bial, a cara de tacho que os indicados fazem
antes do fuzilamento, a gritaria histérica das sobreviventes, tudo é
over. E o que os viciados em Big Brother mais querem é uma overdose.
Quanto mais descontrole, melhor.
Ontem, Bial transcendeu a poesia e partiu direto para a invenção de
poetas. Citou Carlos “Dumont” de Andrade!!! A engenharia genética
acidental do apresentador misturou Carlos Drummond com Santos Dumont.
E o que é que deu: Carlos Dumont, o poeta voador. Inventor do
primeiro poema dirigível, criado para flutuar sobre a pedra no
caminho. Suas palavras, mais leves que o ar, falavam sobre o vasto
mundo que existe entre Itabira e Paris. Carlos Dumont, o “Pai dos
Avoados”, padroeiro do Bial. Alguém avisa o Bial que já inventaram o
teleprompter?
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